quarta-feira, 29 de julho de 2009

Coisas tão simples e tão difíceis de esquecer


um abraço, um sorriso, um aceno
coisas fáceis
gestos tão pequenos
coisas fáceis.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Todo carnaval tem seu fim...


Volto das férias com muitas histórias para contar.
Para cada lugar, uma história. Preciso de tempo e inspiração para descrever cada cantinho e algumas pessoas que conheci.
Começo falando de surpresas. São sempre boas né?!
Esse livro foi uma delas, um fiel e surpreendente companheiro de viagem...


"Meus amigos, meus irmãos, sejamos delicados, urgentemente delicados.
Com a delicadeza de São Francisco, se pudermos.
Com a delicadeza rija de Gandhi, se quisermos.


(...)

Esta aí: porque somos ferozes precisamos ser delicados. Os que não puderem ser puramente delicados, que o sejam ferozmente delicados.

Houve um tempo em que se era delicado. E houve um tempo em que, citando poetas, até se citava Rimbaud. Esse Rimbaud que Paulo Hecker Filho acabou de retraduzir no livro Só poema bom e o Leandro Konder reinventou numa moderna trama policial em A morte de Rimbaud.

Pois aquele Rimbaud, que aos 17 anos já tinha feito sua obra poética, é quem disse um dia: "Por delicadeza, eu perdi minha vida."
Intrigante isso.

Há pessoas que perdem lugar na fila, por delicadeza. Outras, até o emprego. Há as que perdem o amor por amorosa delicadeza. Sim, há casos de pessoas que até perderam a vida, por pura delicadeza. Não é certamente o caso de Rimbaud, que se meteu em crimes e contrabandos na África. O que ele perdeu foi a poesia. E isso é igualmente grave.


Confesso que buscando programas de televisão para escapar da opressão cotidiana, volta e meia acabo dando em filmes ingleses do século passado. Mais que as verdes paisagens, que o elegante guarda-roupa, fico ali é escutando palavras educadíssimas e gestos elegantemente nobres. Não é que entre as personagens não haja as pérfidas, as perversas. Mas os ingleses têm uma maneira tão suave, tão fina de serem cruéis, que parece um privilégio sofrer nas mãos deles.


Tudo é questão de estilo.

[Tempo de Delicadeza, de Affonso Romano de Sant'anna.]

domingo, 5 de julho de 2009

VacatiON!

Férias, malas prontas, São Paulo, Floripa, Camboriú e outros lugarzinhos no destino.
Saio do ar um pouco para pôr o eixo no seu devido lugar, e pingos nos respectivos 'is'.
Ainda esse mês receberei visitas ilustres aqui no Paraná, já conto os segundos pela chegada de cada um, e muito mais da minha amada Mãe. Se conversar com ela já é sempre bom, tendo o Sul como paisagem promete... Espero ser um bom anfitrião procês, já agradeço pelo carinho que recebi com a lembrança e com a ansiedade de me ver, garanto que a minha é muito maior.

Ah, Nando e Galindo, só por vocês farei o que pediram mais uma vez aqui em Curitiba, em julho. Por vocês. Pelo Sport, nada. Ok, warriors?!

Voltei a escrever hoje aquele que eu acredito que será o melhor capítulo do livro, ou pelo menos o mais interessante de ler. Para escrever já está sendo. O Sul tem se mostrado uma região fértil pra isso.
Os sonhos que planto aqui estão crescendo, e crescendo rápido. Amadurecendo nessa velocidade tão quanto esta criança que os escreve.

Então, 'pé na estrada e vento na cara'!

terça-feira, 23 de junho de 2009

Sim pros dois!

Não apenas por uma boa causa, mas diria que por um belo e nobre motivo estive em Recife esse fim de semana. Pra ver Bibi e Rafa subindo ao altar peguei essa famigerada ponte aérea e cancelei alguns compromissos que tinha aqui no Sul. Aproveitei e fui sexta à Fortaleza, até então inédita pra mim, e lá contei com a gentil recepção de Renatinha e com a companhia de Dani, para só daí chegar sábado a terra coração do folclore nordestino.
A festa foi linda! Simples, bonita, convidativa, como o é o amor. Se o amor não estiver na simplicidade, não sei onde mais pode estar. Aprendi isso presenciando cerimônias sultuosas e festas milionárias, mas que não contaram com a presença de um convidado imprenscindível, e justo ele: o amor. Ausência essa que pôs termo, meses depois, a uma encenação pra-não-sei-quem ver.
Vendo os dois vi cumplicidade. E carinho também. Parabéns pela festa, "acreditaram em amor à primeira vista!"
Eu acredito no amor, sempre. Acredito em verdades, e o amor é uma delas. Verdade completa, em todos os sentidos.
E agora é esperar pela pequena Giulia, minha primeira sobrinha. Mais uma mulher na minha vida!
Ainda bem, não sei como me comportaria se um marmanjo ganhasse as atenções na República dos Fonseca...
Tirando o previsível fechamento do Aeroporto de Curitiba na volta e um dia de castigo num hotel em São Paulo, gostei da viagem. Voltar pra casa é sempre bom, e agora nos dois sentidos e nas duas cidades.
Sim pro amor, sim pra essa nova vida que vem vindo, sim para os votos. E, claro, sim pros dois.
Seja feliz minha irmã!

domingo, 7 de junho de 2009

Jammil e A noite

Faz tempo. Exatos 11 anos da primeira vez que ouvi e fui num show do Jammil e uma noites. Com este nome, claro, porque antes era Jheremias Não Bate Corner. O que pra muita gente é novo, pra mim o sucesso desses caras não é de hoje. Há até aqui em Curitiba quem nunca viu e pode até falar que não conhece, mas não venha dizer que nunca ouviu
"Oh Milla, mil e uma noites de amor com você...",
"Me sinto tão sozinho, porque não vem me ver...",
"Sou Praieiro, sou guerreiro, tô solteiro, quero mais o que?",
"Amor, amor, que nasceu de um beijo, amor, amor...",
"Chuva bate na janela e eu me lembro de nós dois aqui...",
"Tchau, I have to go now...",
"Eu sei amor de praia não sobe serra, que o verão passou já era...",
"Dou bandeira você sabe que me tem na mão...",
"Ê saudade que bate no meu coração...",
"É verão, sei lá, dá uma vontade boa de se dar..."

O Fabrício, a quem venho daqui agradecer, fez o meio-campo. E armou um encontro pra que eu conhecesse Tuca, Manno e Beto. Valeu guri!
Tenho minhas ressalvas com a música baiana, já peneirei muita coisa. Mas quando ouço o Jammil fica pouca coisa de fora, quase nada. É como se eles tivessem a fórmula do casamento de uma boa melodia, uma batida pulsante e um carisma incomum. É música da Bahia, não necessariamente baiana, já que o axé fica em último lugar analisando a fundo a banda.
E, cá entre nós, sem falso moralismo e discurso cult, você já foi, pelo menos uma vez, e dançou, pulou, cantou e se divertiu bastante ao som de alguma banda baiana, não?!
Como música é momento, na hora que é deles eu caio dentro, vou junto. E essa foi uma bela noite, diferente de outras aqui no frio do Sul. Foi a noite do Jammil, e uma noites.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

O Sucesso dos Paralamas


Na última sexta conheci de perto uma das maiores bandas brasileiras de todos os tempos.
Talvez a melhor, pelo menos do meu tempo. E como alguns meninos que, na década de 80, começaram a fazer rock no Brasil tem o mérito de ser reconhecidos como uma geração relevante da música brasileira, crédito a essa banda isso aí.

Além de referência, para mim Os Paralamas do Sucesso se tornou uma banda emblemática. Foram eles os responsáveis por marcar a minha vida quando tudo ainda era muito novo, embalar os meus primeiros amores e ser a trilha preferida nas rodas de violão onde, saudosamente, vivi aquelas paixões com início despretensioso nas tímidas trocas de olhares. Hoje sentam em cadeira cativa no melhor lugar da minha memória. Até como músico me inspirei naquele baterista, veloz e preciso. Ele foi meu primeiro ideal.

Carregaram a reboque sua turma, foram os primeiros a gravar uma música de Renato Russo e fizeram, naquela época, Brasília entrar no circuito até então dominado por cariocas, ajudando a redefinir fronteiras. Eu tinha alguns amigos que preferiam a Legião. Eu não trocava os Paralamas por nada!

Melhor do que ouvir de novo Meu erro, Lanterna dos Afogados, Romance Ideal, Ela disse adeus, Uma Brasileira e Vital e sua moto, foi ver a mesma vitalidade e o mesmo vigor de 20 anos atrás, no palco do belo Teatro Guaíra, com som e iluminação impecável.

Curitiba foi palco desse inovador show da nova turnê Brasil Afora, naquela fria noite de sexta feira. Conhecer e conversar com eles foi como abrir um livro de história, ou melhor, um livro da minha história, bem ali, a cores, ao vivo. Márcia, amiga que me apresentou Bi Ribeiro, João Barone e Herbert Vianna, passou um tempo ao meu lado, conversando com eles. Com Bi, falei um bom tempo sobre um show deles que fui há tempos atrás, ele até lembrou os detalhes.
Já com Barone, a conversa não podia ser outra - bateria, claro! Ele me falou sobre técnica e o novo show. Falei pra ele da nova cena de Recife, quando me perguntou. Coincidentemente, ele que só usa TAMA, veio com um kit inédito da GRETSCH num trecho do show. Também gosta dos Beatles, me confirmou. E falamos de tanta coisa... Segunda Guerra, pads eletrônicos, samplers. Aqueles minutos duraram uma eternidade.


Deixei pra falar com Herbert no final, tava cercado por umas meninas do fã clube. Quando elas saíram, conversamos e aprendi muito com ele naqueles poucos minutos. Não pelo que passou, nem pelo que compôs. Nem tampouco pelo que cantou nessas quase três décadas. Aprendi com o silêncio dele, entre uma frase e outra. Vi o quanto os que sonham com o showbizz, candidatos a ídolo da presente geração precisam aprender. A cadeira de rodas não foi capaz de detê-lo, nem diminuir a sua vibração, segundo os que vivem com ele. Exemplo de amor, amizade, garra e compromisso. Contei pra ele alguns dos meus sonhos e ele me incentivou a seguir acreditando neles, as estrelas realmente são altas. E, assim, continuo 'seguindo as palavras e buscando as estrelas'.

sábado, 9 de maio de 2009

Eu tenho dois amores

Voltei a Recife pra alguns compromissos essa semana.
Depois de matar aquela minha saudade de tanta gente, dos amigos, do estúdio, da igreja, da praia, voltei a sentir saudade.
Saudade de Curitiba. A cada dia me apaixono mais por essa cidade.
E saudade, independente do tamanho, só dá em quem ainda é apaixonado.
Comprei em Recife uma bandeira de Pernambuco, pra me amostrar por aqui, 'o que eu herdei de minha gente eu nunca posso perder'.
Mas confesso que novas cores também começam a ser asteadas no coração. Eu tenho dois amores.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Alguns procuram sonhos pra poder viver. Ele fez o contrário.

Exemplos de gente procurando salvação pra vida me enchem os olhos. Quanta gente esperando por um transplante! Em São Paulo, outro dia, um garoto deixou o lar e sua família com o sonho de receber um novo coração e, assim, um novo fôlego pra sua tão pouca e sofrida vida. Felipe saiu de Pindamonhagaba para a capital quando descobriu que tinha um coração doente. Deixou a casa, a mãe, o irmão, os amigos, a escola e veio com a avó morar numa casa de apoio perto do hospital. Dizia querer viver e pra isso fazia tudo.

Forte né?!
Enquanto tanta gente procura a morte através das drogas, do álcool, e vivem a matar os outros e a si mesmo quando plantam sementes com a inveja, a luxúria sempre tão fútil e a impura lascívia, aquele pequeno procura a vida a todo custo, através dos sonhos, e planta no terreno da esperança, sementes de fé, alegria e caráter. Muito aprendi com você garoto! E lembrei na hora:


"Sendo, então, os fins aquilo que desejamos, e os meios aquilo sobre o que deliberamos e que escolhemos, as ações relativas aos meios devem concordar com a escolha e ser voluntárias. Ora, o exercício da virtude relaciona-se com os meios; portanto, a virtude está em nosso alcance, da mesma forma que o vício. Com efeito, quando depende de nós o agir, igualmente depende o não agir e vice versa, ou seja, assim como está em nossas mãos agir quando isso é nobre, do mesmo modo que temos o poder de não agir quando isso é vil; e temos o poder de não agir quando isso é nobre, do mesmo modo que temos o poder de agir quando isso é vil. Por conseguinte, depende de nós praticar atos nobres ou vis, e se é isso que significa ser bom ou mau, então depende de nós sermos virtuosos ou viciosos."

(Aristóteles, "Ética a Nicômaco", há um tempão atrás)

O que você acha que enxergam em você? E a quem realmente importa achar, o que Ele acha?
I Samuel
16.7

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Eu pedi sustenido e ela riu bemol!


Outro dia, relendo um e-mail que recebi há muito tempo da Leila Pinheiro, vi o quanto a arte não tem época e não sai da moda. É tão sutil quanto inusitada, e nasce como brotam aqueles deserdados à margem das rodovias, e tudo muda quando eles saem para ver a rua numa noite de lua. Ela me disse assim:

'Rafa,o poema que falei pra vc, é, na verdade um trecho em prosa de Adélia Prado. Está no livro dela chamado FILANDRAS. Se você não conhece a obra dela, não deixe de procurar. É um assombro! Uma maravilha!
Obrigada pelas palavras, não esqueci, e pelo show de Recife.
Apareça sempre!
Leila'

Resolvi reler aquele capítulo e hoje ele me pareceu diferente. Como eu me pareço diferente a cada dia. Quando a conheci, trocamos uma dúzia de palavras. A Roberta, uma amiga em comum, nos apresentou. Conversando, elogiei o show, ela agradeceu e me olhou muito, como se tivesse muito a dizer ainda. Veio dizer e eu só vim entender depois, como muitas coisas que eu só entendo hoje. Falei da singularidade daquele verso e da interpretação dela. Parecia uma música, mas não era! Foi um lampejo, e pra mim valeu a noite dizer aquilo pra ela. Por entender, ela me respondeu, e aquele foi o primeiro de muitos e-mails até revê-la. Quem diria!
Coisas guardadas pelo destino, numa caixa sem laço nem fitas. Mas com a melhor das surpresas, como os melhores e inesquecíveis presentes.
Indico e, como a Leila Pinheiro, 'é um assombro, uma maravilha!'

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Equilíbrio

Hoje ouvi uma frase que me chamou atenção. Foi na Especialização, dita de uma forma tão despretensiosa quanto precisa. Na verdade, vi traduzido em poucas palavras o que tinha levado tempo conjecturando, buscando adjetivos, figurações, alegorias.
"Juízos de valor equilibrados: sem excesso de rigor, sem excesso de tolerância."
Simples né?!
Não exija muito da vida. Nem tampouco deixe ela lhe cobrar. E sem excessos, todavia.