quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Como se escreve saudade no aumentativo?

E, se em uma noite que parecia ser como outra, os astros se riem pra você e resolvem aprontar?! Daí você recebe uma mensagem subliminar como um sinal, se levanta da cama, põe não só uma roupa, mas a melhor roupa e se olha no espelho. Se perfuma, amarra os cadarços e novamente se olha no espelho. É, tá bom. Despretensiosamente sai e, sem sequer saber que tudo já estava escrito, você sente como se realmente aquilo fosse um dia acontecer, daquela forma, e começa tudo.

Ela saía de casa e também não sabia de nada disso. Aliás, saía de tão longe que, digamos, seria até mais improvável que a essa distância ele pudesse estar sabendo de alguma coisa. Por que será que não entendem que as milhas nada significam quando algo está escrito?! Mas ninguém também sabia. Em tom bem brasileiro, aquela noite nascia urgentemente delicada. Tivesse uma trilha seria uma valsa vienense, ou uma bossa de Vinícius, em pouco volume e muita beleza. Também se arrumou, se olhou. Perfumou-se e tornou a se olhar. Estava pronta.

Quis soberanamente que eles se olhassem e se conhecessem. Ele olhou pra ela e, em algum lugar onde tudo estava sendo visto, o estrondo foi grande. Ela sorriu. Ou o inverso. Sim, aquele sorriso, por si só, era capaz disso. Como se ali todas as estrelas sorrissem satisfeitas do dever cumprido, testemunhavam com o privilégio de não serem notadas, mas como se sorrissem aquele sorriso fechado para um só lado da boca. Ah, ela não saberia quantas noites esperavam por aquela. Ninguém sabia. Como também não dava pra saber que a mesma despretensão daquele momento, seria a mesma de uma semana depois, onde tudo convergiu e, novamente, houve festa em um lugar muito distante, acho que em outra galáxia. Dá pra acreditar em festa em outro lugar, quando acontece alguma coisa aqui?! Dá pra imaginar uma plateia para esse nosso teatro diário, nem sempre triste e nem sempre feliz?! Dá pra sonhar alguém sorrindo e mostrando a ele quase que com um holofote que ela estava bem ali, numa escada, de lado, parada?! Entre sem-graças, pessoas comuns?! Pois é. Naquela noite a festa foi maior. Acho que teve champanhe!

No outro dia ela o ganhou. E, sem saber, o ganhou por completo. Com a delicadeza de um ato que não se sabe a origem. Talvez a grandeza da delicadeza de Gandhi, talvez da pureza de São Francisco. Mas acho que diante daquela história que começava a se rabiscar, delicado era pensar como nos olhares do final de um filme, seja do que for. Pode um momento perdurar por todo o sempre?!

Ele sorriu. Andaram juntos, foram à França juntos (tão perto Monttpelier!), dançaram, cantaram, sentiram saudade. Viram um filme (sem até nem saber que já eram protagonistas de um tão bonito que estava a começar!). Naquele, como em um sonho, um lindo sonho tão bonito e tão infinito, deram-se as mãos.

Pra mim é tão real escrever isso, que chego a sentir novamente com a mesma intensidade daquele momento que foi vivido. Grande amores estão em nós e, de uma hora pra outra, ela estava ali. E podem morar a milhas de distância, ou até estar nesse momento a mais de 2.000 km esperando pra ler essas palavras. Mas o fato é que diante do que se sente e da intensidade do que se sente, a distância é tão pequena, as dúvidas de mudas até silenciam e os medos reconhecem a grandeza dessas coisas que ninguém imagina que pode acontecer depois de uma noite de quinta-feira. É quando ele olha o travesseiro e sabe que alguém também deita na mesma hora, tão longe dali. E rasga mais uma folha do calendário, e faz planos. E chora de saudade, mas sabe que as horas correm a seu favor para fazer aquele dia mais próximo. E volta a sonhar, volta a sonhar.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Repara se já viu poesia como esta?!

Hoje fui tomado por um saudosismo sem tamanho. Sempre pensei que a idade não fosse passar e que envelhecer era um evento mais psicológico do que físico. Não mudei de conceito, mas hoje percebo a saudade deitar no meu peito como se tivesse um sono pesado e interminável. Começo a vislumbrar os fatos passados com menor acuidade e alguns acontecimentos ficam como um alguém que acena do cais e eu vou partindo, em um navio que precisa atracar em outros portos.

Se fatiar a vida em pedaços pode ser bom, pra mim hoje foi melancólico, como o olhar fixo nas nuvens cinzentas de uma tarde chuvosa. Dos lugares por onde andei e de tudo que meu olhos puderam contemplar. Tem registros que foram feitos apenas pela mente, máquina digital e câmeras no celular são pontualmente tão recentes! Pessoas inteligentes me fazem falta. Receber ligações no meio da noite de quem menos se espera faz falta. Pegar uma muda de roupa e a escova de dente, entrar num ônibus e viajar pra encontrar alguém faz falta. Não sentir o peso de tanta responsabilidade que eu mesmo me acrescento todo dia faz uma falta danada. E era sobre isso que eu queria falar.

Certa vez conheci uma senhorinha que distribuía flores. Hoje vejo que este é um ofício que não é pra todos. Por mais que se esgotem campanhas de gentileza, que os poetas se esforcem pra disseminá-la e que todo dia fosse 31 de dezembro, não sei se alguém pode fazer melhor aquilo na terra do que aquela mulher. Aquela flor vinha acompanhada de candura, o jeito como ela pegava para entregar e a singeleza e simplicidade daquele ato tornava aquilo gigante, grande demais pra qualquer ser vivente!

Me senti saudoso hoje porque não é simples pensar que as próximas primaveras podem não ser tão boas quanto as últimas. E se forem?! E se não forem?! E se as pessoas que cruzarem meu caminho não forem tão interessantes quanto aquelas que ficaram nele? E se, se, se...

A Adélia Prado é fantástica. Ela fala e eu entendo, sempre. Queria poder dizer isso a ela algum dia. Mas queria dizer sutilmente, da mesma forma como ela fala e eu a entendo. É uma poesia com cheiro, com gosto, com tudo que eu tô sentindo agora. Tem um livro dela chamado "Filandras", que é assim. Tem um trecho que faço questão que você leia:

"(...) Contra céu azul e cheiro de mato verde Deus regia o planeta. Estava muito surpresa com a perfeita mecânica do mundo e muitíssimo agradecida por estar vivendo. Foi quando teve o pensamento de que tudo que nasce deve mesmo nascer sem empecilho, mesmo que os nascituros formem hordas e hordas de miseráveis e os governos não saibam mais o que fazer com os sem-teto, os sem-terra, os sem-dentes e as igrejas todas reunidas em concílio esgotem suas teologias sobre caridade discernida e não tenhamos mais tempo de atender à porta a multidão de pedintes. Ainda assim, a vida é maior, o direito de nascer e morar num caixote à beira da estrada. Porque um dia, e pode ser um único dia em sua vida, um deserdado daqueles sai de seu buraco à noite e se maravilha. Chama seu compadre de infortúnio: vem cá, homem, repara se já viu o céu mais estrelado e mais bonito que este! Para isto vale nascer." (Extraído do livro "Filandras", Editora Record - Rio de Janeiro, 2001, pág. 119.)

 Leio Adélia Prado e volto a sonhar. Venham cá! Reparem se já viu poesia como esta?!

segunda-feira, 16 de julho de 2012

O homem da terra e o coração do marinheiro

Tem coisas que eu falo e pouca gente entende. Eu acho isso bom. Acho bom que aquilo que eu fale não seja escutado por todos e aqui eu troco o entender pelo escutar, como uma forma de fazer você começar a ouvir o que eu escrevo, e não apenas ler. Isso é pensar poeticamente. A poesia tem música, por isso rimas soam como melodia. É mais ou menos assim: você lê (perdão, você ouve!), aquilo de alguma forma mexe com algo que você tem contido e pronto.

Relendo uns livros que ganhei de presente, me peguei encantado por Jorge Amado. Que baianinho danado! Muitos gostam de vê-lo na TV, nas minisséries televisivas, que tem lá os seus méritos. Eu prefiro degusta-lo lendo suas palavras, mexe mais com minha imaginação. Ele sabe como ninguém usar os recursos de repetir termos e frases no intuito de criar rápidos fluxos de consciência e, literalmente, conversar com o leitor sem se dirigir diretamente a ele. Essas repetições podem causar humor, mas na sua maioria reforçam o caráter trágico dos destinos navegantes, à mercê dos humores de Iemanjá, a mulher de cinco nomes, que pelo seu capricho pode leva-los ao fundo do mar. Acho difícil, por melhores que sejam os atores, haver melhor teatro que a nossa fértil imaginação. Sim, mas voltando à poesia. Tudo que era escrito por Jorge Amado e musicado por Dorival Caymmi ganhava ares de festa. E, por isso, só depois vim descobrir que "É doce morrer no mar" veio da história de Guma e sua amada Lívia contada com todos os reveses da vida praiana - onde o pescador começa a descobrir quando é a vez do mar. "Mar Morto" é encantador! Jorge Amado é encantador!

E foi lendo-o que me deparei com uma frase intrigante, no meio de um posfácio aparentemente ingênuo. "Vinde ouvir essas histórias e essas canções. Vinde ouvir a história de Guma e de Lívia que é a história da vida e do amor no mar. E se ela não vos parecer bela, a culpa não é dos homens rudes que a narram. É que a ouvistes da boca de um homem da terra, e, dificilmente, um homem da terra entende o coração dos marinheiros. Mesmo quando esse homem ama essas histórias e essas canções e vai às festas de dona Janaína, mesmo assim ele não conhece todos os segredos do mar. Pois o mar é mistério que nem os velhos marinheiros entendem."

Sempre me perguntam de onde vem isso que faz meu pulso disparar pela arte, pela música, e pelos segredos que dessas coisas decorrem. Eu juro que não sei explicar! E talvez nem você conseguisse também entender, como até já falei.

O certo é que a vida é assim. A vida tem segredos, como o mar tem os seus. E os mistérios que nem os velhos marinheiros entendem também são assim. Se a poesia imita a vida, Jorge Amado é o mais autêntico dos marinheiros, por isso navegar nesses mares é tão bom. Porque dificilmente um homem da terra entende o coração dos marinheiros.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

O Senhor deu, o Senhor tirou.

Era uma noite chuvosa e novembro tava perto de terminar. Eu só tinha 17 anos e estava, literalmente, às vésperas de prestar o meu primeiro vestibular pra Direito. Como a prova era num domingo e eu ainda não entendia muito a seriedade daquilo, minha mãe me disse pra dormir cedo e evitar qualquer atividade que me deixasse cansado, essas coisas de mãe. Fui deitar, sem dar muita bola pra proximidade do primeiro grande desafio que a vida me trazia. Meu telefone toca. "Alô, é Rafael? Rafael Fonseca?". "-É sim", respondi, meio acordado, e inteiro sem saber quem era. "-Quem é?". "Cara, não sei se você me conhece, mas quem me falou de você e me deu teu número foi Lula, baixista. Aqui quem fala é Pedro, Pedrinho." Aquela voz era inconfundível. Melhor, aquele jeito de falar era inconfundível. Às vezes meio gago, ou querendo atropelar as palavras pra dizer logo o que queria, ou às vezes repetindo a mesma coisa para em seguida ouvir o que queria. A verdade é que eu sabia quem era Pedrinho, mas até ali eu não sabia que ele sabia quem eu era. Isso porque eu já o tinha visto nos palcos do Recifeliz, nos trios elétricos da Marcha, e gostava demais do jeito que ele fazia aquilo. Era diferente, efusivo, instigante, inquieto, ele sempre foi diferente. Eu era um baterista que, apesar da pouca idade, tinha alguns anos de estudo, mas havia tocado com quase ninguém e o que o levou a fazer aquela ligação foram os nossos amigos músicos em comum. "-Fala, Pedrinho, tudo certo cara, sei quem você é. O que é que manda?!" Perguntei, sem ter a menor noção do motivo do contato - àquela hora, num sábado. Naquele instante esqueci do vestibular, da hora, do sono, da minha mãe e das suas recomendações - doido pra que fosse um convite pra tocar com ele. "Tô precisando de um baterista e me indicaram você, tá afim de tocar comigo hoje?! É mole. Será na Imbiribeira, coisa rápida, passo pra te pegar em 15 minutos". A essa altura eu já tava acordado, de pé, com uma porta do guarda-roupa aberta. "-Tocar contigo? Mas... como é, assim... sem ensaio?" "É. Me diz o nome da tua rua e o número do prédio, é perto da onde?". Isso era a cara dele. Não sabia onde eu estava e dizia que chegava em 15 min., ou ainda nem se importava com qualquer empecilho que atravessasse o que vinha naquela cabeça. O final dessa história - que na verdade era só o começo de tudo - foi que ele veio, falou com minha mãe que, mesmo reticente, liberou com a condição de voltar cedo por causa da prova (!) e viramos amigos. Isso mesmo, amigos.

Naquela época ele ainda era seminarista, mas a verdade é que sempre fomos tão amigos que sua autoridade sobre a minha vida decorria de admiração e carinho, e nunca de submissão, imposição ou medo. Certa vez fomos para Timbaúba, cidade a 100 km de Recife, tocar por lá. Junto conosco foi Bosco, então goleiro do Sport Recife, pra dar um testemunho para um público que esperava ansioso, ligando quase que de minuto em minuto querendo saber em que altura da estrada nós estávamos. Na ida o carro quebrou, na chegada quase não conseguimos passar entre o carro de som e a multidão e na volta foram só risos, alegria e certeza que lembraríamos daqueles momentos para sempre. Contando aqui, assim, parece que vivi tudo isso ontem, mesmo passados 12 anos.

Desde aquela ligação, mesmo com a pouca idade, algo me dizia que o sentimento que eu teria por aquele cara teria um gosto de eternidade. Eu provei daquilo naquela noite. Não sei, era uma simbiose que dispensava ensaios, acertos, previsões. Antes de ir morar no Sul, recebi a visita dele. Dos meus amigos, foi o último a se despedir de mim, antes que eu fosse morar em Curitiba. Que ironia, sem se despedir, foi o primeiro deles a ir embora, ficar ao lado do Pai. Nunca me esquecerei do que me disse naquela noite: "Vai lá, Noelzinho (como sempre carinhosamente me chamou). Vai viver, cara, vamos viver!".

Vamos sim, Pedrinho. E eu vou meu amigo, irmão, pastor, conselheiro, fiel escudeiro e confidente. Sempre tão firme, honesto consigo próprio, transparente, autêntico. Esse acidente pode ter sido forte pra lhe arrancar dessa vida, mas mais forte é o Pai, é Deus que a deu e a tirou. Eternamente, Bendito seja o nome do Senhor.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Da lama ao caos

Você, que mora em PE, lembra em quem votou para Senador em 2010?! Se lembra e um dos seus votos foi para Humberto Costa, com o lançamento da sua candidatura a Prefeito do Recife, sabe quem assumirá sua vaga no Senado?! Joaquim Francisco. Isso mesmo. "Joaquim Francisco, senador pelo PT (!)". Quem conhece sua história política, imaginaria uma manchete como essa?! A pior das corrupções é a traição aos princípios, e pior que o PT são os eleitores que sequer sabem quem são os suplentes quando votam em um Senador. Pra mim, isso foi a gota d'água. E já que, de gota em gota, a Cachoeira enche o lago, tome chuva, barreira caindo, trânsito caótico e aumento pros vereadores do Recife. Como dizia Chico Science, "(...) Ô Josué, eu nunca vi tamanha desgraça.
Quanto mais miséria tem, mais urubu ameaça". E a cidade não para, a cidade só cresce! Viva o Rio Mar! Viva a Via Mangue! Mas calma... pior não são os eleitores de PE que votaram em Humberto Costa. Como deve se sentir quem votou em Demóstenes Torres em Goiás?!

Se Recife já trocou João por João, trocará Costa por Costa. É costas pro povo, de novo.

terça-feira, 6 de março de 2012

Pernambuco imoral, imoral

O Brasil é o país das prerrogativas e Pernambuco o estado dos desmandos. Aqui o cidadão que ameaça alguém portando arma de fogo, em alguns casos, chega a responder por tentativa de homicídio. Já fiz defesas às pencas nos Tribunais do Júri pelo Brasil afora, com acusados dessa natureza, e falo de cátedra. Se o mesmo cidadão constrange mulher à prática de qualquer ato libidinoso, em seguida é rejeitado e - por circunstâncias alheias à sua vontade - não consegue consumar o delito, lhe é imputada a conduta do estupro. Mas se ainda, por acaso, urinar na rua, aí só-Deus-sabe qual pena irá pegar pela prática do ato obsceno. Em suma, HOMICÍDIO (na forma tentada), ESTUPRO (na forma tentada) e ATO OBSCENO são crimes. Mas são crimes para populares, sem prerrogativa de foro. Ou até para juízes de outros estados que possuem um Tribunal de Justiça sério, coerente, imparcial e independente. Aqui em Pernambuco, não.

Que ironia. Um juiz de uma Vara Criminal da capital Recife, acostumado a censurar essas condutas e de sentenciar penas graves a quem transgride a legislação penal, pratica-as no Natal de 2010, em um bar em Casa Amarela (pasmem, disse ter se embriagado involuntariamente quando esses fatos aconteceram!) e sabe o que seu julgador disse?! Sabe qual decisão que o "Egrégio" Tribunal de Justiça de Pernambuco, através da sua Corte Especial tomou?! 9 (NOVE!), dos 12 desembargadores votaram pela "Censura". Isso mesmo, C-E-N-S-U-R-A. Trocando em miúdos, sabe o que significa?! Que o Excelentíssimo Senhor Doutor Magistrado trabalhará normalmente amanhã, na base do "cumpra-se o que eu decido, mas não pra mim quando o faço".

Pernambuco, meu estado, que pena! De tantas belezas, de um povo aguerrido, lutador, de tanta gente séria, mas infelizmente submissa a um Poder Judiciário tão corrupto, despreparado e desequilibrado.

Justiça aqui nesse estado só será feita no dia em que os criminosos julgarem os criminosos, como os juízes julgam seus pares. Assim, essa voz que vos fala se calará e ficará em paz, diante da ausência de interesses escusos e dessa nojenta demagogia que permeia esse poder que só merece o desvalor e o descrédito desse povo, coberto de glória.

Pernambuco, imoral, imoral.
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*Não deixe de ler:
http://www.juristas.com.br/informacao/noticias/juiz-que-ameacou-mulheres-em-casa-amarela-sofre-apenas-pena-de-censura/18490/

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Cresça o quanto for!

Sou cético pra uma monte de coisas, mas no amor ainda acredito. E acredito nele na forma mais pura e mais bíblica que existe. Sei que ele é paciente, benigno. Que não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade. E que tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. Acabo de ouvir "Alívio", uma música do Arthur Maia com Djavan. Adoro quando uma música me ouve, sempre que procuro alguma pra ouvir.

"(...) seja lindo, amor, bem vindo... e cresça o quanto for!"

domingo, 12 de fevereiro de 2012

O porquinho

Acho que esse foi o maior tempo que passei sem escrever aqui, coisa que gosto tanto de fazer. Acho não, foi sim. Foi o tempo que mais demorou para que eu juntasse, como sempre falo, tudo o que vejo nas ruas, espalhado, e fizesse disso palavras. Não é tarefa das mais fáceis, no entanto, no erro de ser irreal eu não incorro.
Mas enfim, eis aqui de novo um expectador atento ao que se passa em derredor. Venho, depois de receber estímulos de tanta gente que se identifica com esse espaço que, se servir para uma única pessoa, já me faz feliz por inteiro, me derramar. Andei por lugares novos, e também pelos mesmo lugares de sempre. Fui em frente, voltei atrás, sorri muito e, desde a última vez que meus pés pisaram o 'rafadesapatonovo', chorei apenas um dia - e isso não é um bom sinal. Minhas lágrimas costumam ser mais honestas comigo mesmo que meus sorrisos.

Venho falar de um porquinho que quebrei outro dia, há muito pouco tempo atrás. Quebrei porque de tão pesado já não tinha espaço pra mais nada. Só aguçava mais a minha curiosidade em realizar os planos do que iria comprar, ou o que iria fazer da minha vida. Andei ocupando-o de moedas de pouco valor e que pesavam o mesmo daquelas de maior valor. Quanto tempo levei pra entender que não adianta juntar coisas que, de tão pouco, acabam por valer nada! Só percebi que tinha cometido esse equívoco quando abri e vi muitas moedas que sequer mereciam ter sido guardadas. Na verdade, lembro de poucas vezes que as guardei, mesmo sabendo que eram irrisórias. Poucas vezes isso foi pensado ou, sei lá, espontâneo. E aquele porquinho não tinha como ser refeito, o jeito era conseguir outro porta-níquel e passar a me enganar menos. Ou melhor, não me enganar mais.
Aprendi (tô sempre aprendendo!) a esperar para guardar um moeda de um real, em lugar de cem de um centavo. E não é simples matemática, nem economia ou obviedade financeira apenas. Pesa menos, dói menos e passa mais tempo para precisar quebrar o porquinho. E quebrar porquinho dói, dói demais. Decidi quebrar menos porquinhos daqui pra frente e amanhã começo com outro (tô sempre começando de novo...). Prometo voltar a falar dele, mas não me pergunte quando. Só o tempo irá dizer isso. E os trocos que recebo pela vida afora.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

onovojeito

E quando o coração já não espera ser mais sacudido por alguma coisa, aparece onovojeito "e me fala de coisas bonitas que eu acredito que não deixarão de existir: amizade, palavra, respeito, caráter, bondade, alegria e amor..." Bacana isso né?! Sem nenhum interesse político, institucional e nem tampouco governamental, gente jovem reunida pro bem e fazendo o bem a quem a vida privou sonhos tão simples. É um tapa nessa geração tomada por este século, envolta à tantas migalhas fúteis diante do que realmente importa. Somos capazes de gastar alguns mil reais em viagens, outros tantos cem reais numa noite qualquer e isso não parece custoso, ao mesmo tempo que achamos tão caro doar uma cadeira de rodas de R$ 175,00, trazendo um novo fôlego de vida pra alguém.

Coisas tão simples, e tão difíceis de esquecer! Obrigado, pai. Hoje vejo que sua gravata significa muito! Tento, com tudo que esses valores me fizeram conquistar, retribuir aos outros a felicidade que em tantos dias você foi com ela buscar, e sempre trouxe. Valeu.

Não deixe de visitar e conhecer: http://www.novojeito.com/

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Bate na porta, avisa a vizinha!


"Quando nada mais parece ajudar, eu vou e olho o cortador de pedras martelando sua rocha, talvez cem vezes, sem que uma só rachadura apareça.
No entanto, na centésima primeira martelada, a pedra se abre em duas, e eu sei que não foi aquela a que conseguiu, mas todas as que vieram antes."
(Jacob Ritss)

Esse é o primeiro DVD da Gafieira Soul. Sei que essa está longe de ser a "centésima primeira", mas é uma martelada dada com força, com muita força.

Foi bacana caminhar até aqui, fiquei feliz pra caramba - como há muito não ficara - ao ver tudo pronto e exatamente como imaginei desde o início. Vocês não imaginam o carnaval que tá dentro de mim diante desse encarte e dessa bolacha!

Não é fácil fazer música boa, ao lado de um time de primeira linha, ter comprometimento com o público e respeito aos contratantes e fãs que acompanham o trabalho. De igual modo, não é simples ter a iniciativa de pensar passo-a-passo tudo isso, colocar e depois  tirar do papel, sair pra rua com um release debaixo do braço e os planos fervilhando na cabeça. Receber vários "não's" que ficam diminutos com alguns "sim's" que, acompanhados de um sorriso amigo, foram e são combustíveis para a caravana não parar.

Faço minhas as palavras de um grande artista pernambucano, chamado Tibério Azul, que vem criando e aparecendo para o Brasil como uma grata surpresa, dando voz à banda Seu Chico, pensando com o mesmo sentimento que vos escrevo:
"Mas cansa? Cansa. E é difícil? É difícil. Tem problema? Tem muitos. Tem brigas? Vixe, tem sim.
(...)
Dizer que nascemos para isso não significa que sejamos bons ou talentosos ou que seremos famosos ou o que quer que seja - porque essa é uma decisão externa. Isso significa que nascemos para isso e que para nós isso é natural. E tudo o que é natural possui uma largo sorriso quer seja entre fogos de alegria ou lágrimas de lamento." (Em: http://tiberioazul.blogspot.com/2011/06/entre-amigos.html) 

Existem alguns créditos que merecem, e precisam ser dados. À Riva Le Boss, Israel Silva e Lara Klaus, pelo talento, amizade e raro brilho. À Rivando Campina, pelo impulso e crença. À Ricardo Filho e Rafa Mattos, por misturarem profissionalismo e amor ao que fazem.

Enfim, não tenho argumentos para convencê-lo que a banda é boa, que "toca dobrado", que pulsa e enche o salão de energia positiva, fazendo as pessoas esquecerem da semana que passou e levarem pra casa a alegria necessária para duelarem com a semana que virá.


E só tem um jeito de experimentar isso. Você não vai querer chegar no final, vai?!

Lançamento do DVD "Luau da Gafieira Soul", dia 26/06, às 22h, no UK Pub.
Part. especiais: Edilza Aires e Chuchu.