'depois do samba sua vida nunca mais foi a mesma...'
Como se escreve saudade no aumentativo?
quarta-feira, 19 de maio de 2010
Reinícios
Descobri hoje em mim uma coisa que jamais havia notado: eu gosto de reinícios.
Claro, isso acaba se tornando diferente dos 'inícios' porque já não parto nunca do mesmo lugar. É como se eu começasse de um ponto que não necessariamente é o zero, mas motivado a refazer tudo, do nada.
Não por destino, o que está ao meu redor também é assim, não tem medo de começar de novo e jamais entregam o jogo no primeiro tempo, seja qual for o motivo.
Meu time é assim, minha família é assim, meus grandes amigos são (sem qualquer exceção) todos assim, minha história se escreveu assim. E eu acabei também sendo assim.
Transformei meu dia-a-dia, vivi um sonho (um lindo sonho!) numa região longe, fria e apaixonante, e como num passe de mágica vi realizados sonhos numa cidade guardada, em cada esquina, pra mim, só pra mim.
Por saber quem preparou tudo e ter a certeza que meus olhos ainda não viram e meus ouvidos ainda não ouviram o que Ele tem guardado, fico por isso feliz. E o amo.
Porque assim como esse meu gosto pelos 'inícios', Ele me perdoa e faz de cada deslize, desse ser cheio de imperfeições, um reinício. Até o dia em que não precisará mais disso, e pela última vez serei feliz por poder recomeçar.
Claro, isso acaba se tornando diferente dos 'inícios' porque já não parto nunca do mesmo lugar. É como se eu começasse de um ponto que não necessariamente é o zero, mas motivado a refazer tudo, do nada.
Não por destino, o que está ao meu redor também é assim, não tem medo de começar de novo e jamais entregam o jogo no primeiro tempo, seja qual for o motivo.
Meu time é assim, minha família é assim, meus grandes amigos são (sem qualquer exceção) todos assim, minha história se escreveu assim. E eu acabei também sendo assim.
Transformei meu dia-a-dia, vivi um sonho (um lindo sonho!) numa região longe, fria e apaixonante, e como num passe de mágica vi realizados sonhos numa cidade guardada, em cada esquina, pra mim, só pra mim.
Por saber quem preparou tudo e ter a certeza que meus olhos ainda não viram e meus ouvidos ainda não ouviram o que Ele tem guardado, fico por isso feliz. E o amo.
Porque assim como esse meu gosto pelos 'inícios', Ele me perdoa e faz de cada deslize, desse ser cheio de imperfeições, um reinício. Até o dia em que não precisará mais disso, e pela última vez serei feliz por poder recomeçar.
sexta-feira, 23 de abril de 2010
"Na minha aldeia tudo era verdade, menos a mentira"
Li hoje daqui de Curitiba que o caso das jovens Tarsila Gusmão e Maria Eduarda Dourado irá a julgamento pelo Tribunal do Júri no dia 18 de maio próximo. Procurado por alguns, considerando que esses homicídios repercutiram nacionalmente, precisei esclarecer algumas coisas. Inspirado pela frase de um escritor português chamado Eduardo Simões que dá título a esse post, acordei coinscidentemente com a ligação de um jornalista que vem fazendo um belo trabalho sobre crimes que atentam contra a vida. Sabedor da minha naturalidade e das defesas nos Tribunais do Júri aqui do Sul, foi responsável por antecipar a minha alvorada.
Em primeiro lugar, fatos como esse ficam sempre muito perto de acontecer. Por alguns motivos óbvios a morte dessas duas aconteceu. Foram passar um final de semana na casa de praia de amigos, desapareceram após um passeio de lancha e no dia anterior que foram vistas pela última vez participaram de uma festa. Um enredo comum, próprio da idade, não fossem os personagens - vítimas e aqueles que enganosamente estão sendo acusados - e seus péssimos antecedentes.
Tive acesso ao inquérito policial há tempos atrás (o crime aconteceu em 2003 e, em grande parte do decorrer da investigação, ainda morava em Recife), e muita coisa chama a atenção. Pelos erros e equívocos propositais, claro. Inicialmente os kombeiros Marcelo Lira da Silva e Walfrido José de Lira foram assistidos por Defensores Públicos, considerando o baixo poder aquisitivo e a impossibilidade de constituir advogados particulares. Meus amigos José Francisco Nunes e José Antônio Fonseca de Mello se encarregaram da defesa até as alegações finais, antes dos mesmos terem sido pronunciados (decisão que os submeteu ao julgamento dos acusados pelo Júri Popular). Pois bem. Sem qualquer explicação, assume o caso Bóris Trindade, um advogado de história e reputação incontestes em Recife. Sei que defendia presos políticos na época do golpe de 1964, tamanha sua paixão pela esquerda. Tá. Não julgo a capacidade de ninguém pagar ou receber por qualquer serviço profissional, mas até onde eu sei os kombeiros não foram contemplados pela megasena e acho difícil que, por liberalidade e generosidade, o escritório tenha entrado nessa. Mas também não cabe a mim procurar saber quem pagou. Só é estranho.
E se eles forem absolvidos, como devem ser, não deixará de haver impunidade. Afinal, os autores do crime continuam em liberdade - a mesma liberdade que as vítimas foram criadas, saindo para festas, viajando e passando dias longe de casa, entregues à própria sorte - ou, nesse caso, ao azar. Isso fatalmente acontece com quem toma a vida num gole só.
O que não passa despercebido é que outros interesses movem e influenciam a condenação desses infortunados, que entraram como a bucha de canhão utilizada para limpar os canhões na 2ª grande guerra mundial. Acho que os corpos, também por questões óbvias, não poderiam ser achados logo após o que aconteceu na festa, deveriam ter mais sêmen do que células. Também não me perguntem de quem, não sou leviano, nem perito do IML e nem estive naquela casa na noite de 02 de maio de 2003.
O passado dessas 'pobres adolescentes que foram cruelmente assassinadas' já as condenava antes de qualquer um que venha a cumprir pena pela acusação de terem tirado suas vidas. Em depoimento à polícia, a mãe da Tarsila disse que a filha costumava viajar e passar até 10 dias sem dar notícia. O que me intrigou, à época, foi a portaria do delegado de Ipojuca (município onde ocorrerram os fatos) ser baixada apenas 1 dia após o desaparecimento das "moças", instaurando e iniciando o inquérito para apurar as mortes. Estranho não?! Segundo a mãe ele chegava a passar 10 dias sem dar notícias...
Já se sabia das mortes na manhã seguinte da festa.
Trocaram o piso da casa, mudaram a grama do jardim. Comportamento típico de quem quer assassinar as provas materiais, apagar os indícios e dificultar o trabalho da perícia técnica e, assim, tentar deixar a elucidação dos fatos para os depoimentos das testemunhas - a prostituta das provas, facilmente corruptível.
É sempre assim. Foi assim com o casal Nardoni, que limpou a casa, imaginando que lavar com água e sabão resolveria. Em lugares que a polícia investigativa é séria isso acaba se tornando uma grande piada e álibi frágil. A delegada achou estranho e, em tempo, isolou o local. Claro, prova se colhe ontem, aprendi isso no crime. Amanhã ela pode inexistir, ou ser facilmente adulterada por alguns pedreiros e outros jardineiros.
Já dizia Millôr Fernandes, que 'a polícia só sabe que Caim matou Abel por causa do samba popular e não porque tenha lido a Bíblia.'
Faço do Júri a minha vida, todos que me conhecem sabem disso. E sabem também que nem sempre (ou quase nunca) o jurado é convencido pela verdade. Aliás, lá tudo é verdade, inclusive a mentira. A culpa não é do Judiciário. Nesse caso, não. Aliás, culpado aqui é o que não falta.
Não adianta o pai vir chorar depois do sangue derramado. Não venha o delegado querer investigar depois dos corpos em putrefação (ou depois de ter recebido o que negociou). Da mesma forma não adianta as garotas se arrependerem da vida que levavam, pois perderam-na.
As aparências enganam a quem quer ser enganado. Ou se enganar.
terça-feira, 20 de abril de 2010
Me espera no portão, pra você ver
agora é pra valer!
Pode ir armando o coreto,
e preparando aquele feijão preto
Eu tô voltando...
Pode ir armando o coreto,
e preparando aquele feijão preto
Eu tô voltando...
quinta-feira, 8 de abril de 2010
Se souber confiar no seu critério, nada a temer...
Ah, segurei o meu pranto para transformar em canto
E para meu espanto minha voz desfez os nós, que me apertavam tanto
E já sem a corda no pescoço, sem as grades na janela
E sem o peso das algemas na mão
Eu encontrei a chave dessa cela
Devorei o meu problema e engoli a solução
Ah, se todo o mundo pudesse saber como é fácil viver fora dessa prisão
E descobrisse que a tristeza tem fim
E a felicidade pode ser simples como um aperto de mão...
Entendeu?
E para meu espanto minha voz desfez os nós, que me apertavam tanto
E já sem a corda no pescoço, sem as grades na janela
E sem o peso das algemas na mão
Eu encontrei a chave dessa cela
Devorei o meu problema e engoli a solução
Ah, se todo o mundo pudesse saber como é fácil viver fora dessa prisão
E descobrisse que a tristeza tem fim
E a felicidade pode ser simples como um aperto de mão...
Entendeu?
domingo, 14 de março de 2010
Acaso e sorte
Hoje me convenci que os momentos felizes nos escolhem, depois de vagarem um tempo por aí. Não pense que isso acontece às avessas, e nem mesmo por acaso.
O acaso, aliás, é uma coisa, a sorte é outra, e pra viver é preciso uma boa dose de sorte.
Deus tem essas duas coisas nas mãos e se manifesta em ambas. Como sempre fazemos, a essas duas coisas damos nomes, e pra elas ficou esses: acaso e sorte. Assim como outras coisas tem seus nomes, penso que 'honestidade' nada mais é do que o preço cobrado e bem pago de uma coisa medonha chamada verdade - que aliás, anda escondida (tem sido difícil encontrar a verdade em muita coisa, não?!), acaso e sorte assim se chamam.
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
Psssiuuu...
Cuidado com o que você diz;
entre aqueles que não dizem nada,
poucos são os que ficam em silêncio.
entre aqueles que não dizem nada,
poucos são os que ficam em silêncio.
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Legítima Defesa
"Quem se defende porque lhe tiram o ar ao lhe apertar a garganta,
para este há um parágrafo que diz: ele agiu em legítima defesa.
Mas o mesmo parágrafo silencia quando se defendem porque lhes tiram o pão.
E no entanto, morre quem não come, e quem não come o suficiente morre lentamente.
Durante os anos todos em que morre não lhe é permitido se defender".
(Bertold Brecht)
para este há um parágrafo que diz: ele agiu em legítima defesa.
Mas o mesmo parágrafo silencia quando se defendem porque lhes tiram o pão.
E no entanto, morre quem não come, e quem não come o suficiente morre lentamente.
Durante os anos todos em que morre não lhe é permitido se defender".
(Bertold Brecht)
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
No calor dos meus braços.
Tudo novo, de novo!
Começou 2010 e quase não parei para escrever aqui, coisa que gosto tanto de fazer. Depois do final de ano no Rio e de rever tanta gente boa, e apesar de alguns imprevistos nos dias em que estive em Recife, tá tudo novo, de novo.
Com o fim das férias e o retorno às atividades, é como se eu voltasse a sonhar, e acho que o trabalho tem esse poder. Me sinto mais útil e, por isso, mais forte.
Aliás, por falar em trabalho, a agenda dos Júris ficou cheia esse mês. Com o pedido de adiamento em vários processos por conta das férias, uma hora haveriam de julgá-los. Permanece ainda mais clarividente o tão propagado e já lugar-comum brocardo de que "a justiça tarda, mas não falha". Só espero nem tardar e muito menos falhar na defesa.
Enfim, de volta a essa cidade que me deixa com mais saudade a cada despedida, mas que a cada encontro me faz crer que nada que acontece, acontece por acaso. Curitiba foi uma das melhores coisas que me aconteceu na vida. Casa nova, novos sonhos e a mesma velha vontade de não ser o mesmo. Aliás, de não mudar muito. Ou melhor, de ser a mesma mudança, de sempre.
Com o fim das férias e o retorno às atividades, é como se eu voltasse a sonhar, e acho que o trabalho tem esse poder. Me sinto mais útil e, por isso, mais forte.
Aliás, por falar em trabalho, a agenda dos Júris ficou cheia esse mês. Com o pedido de adiamento em vários processos por conta das férias, uma hora haveriam de julgá-los. Permanece ainda mais clarividente o tão propagado e já lugar-comum brocardo de que "a justiça tarda, mas não falha". Só espero nem tardar e muito menos falhar na defesa.
Enfim, de volta a essa cidade que me deixa com mais saudade a cada despedida, mas que a cada encontro me faz crer que nada que acontece, acontece por acaso. Curitiba foi uma das melhores coisas que me aconteceu na vida. Casa nova, novos sonhos e a mesma velha vontade de não ser o mesmo. Aliás, de não mudar muito. Ou melhor, de ser a mesma mudança, de sempre.
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